Estrada Velha de Campinas

From Nos Caminhos de São Paulo

PORQUE NOS CAMINHOS DE SÃO PAULO?

Estrada Velha de Campinas


A Rodovia SP-332 é uma estrada do estado de São Paulo mais conhecida como Estrada Velha de Campinas, pois ela fazia a ligação original entre São Paulo e Campinas. Hoje, grande parte do seu traçado foi pulverizado por vias, avenidas e ruas de várias cidades por onde passa e recebe diferentes nomes ao logo dos seus trajetos. Inicia nas margens do rio Tiete, na Lapa em São Paulo e, chega a Campinas pela pelo setor oeste de Valinhos e segue pela rodovia General Milton Tavares de Sousa, mais conhecida como Tapetão. Ela começou a ser traçado em meados do século XVII pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera e à partir de 1682, ao tentar atingir o estado de Goiás, outros tropeiros em busca de ouro, nativos e quilombolas, traçaram novos caminhos e várias cidades surgiram como: Campinas; Mogi-Mirim; Casa Branca; Cajurú e Franca. Após a popularização da estrada, o Governo do Estado, preocupado com as suas condições técnicas, inaugurou em 1948 a Via Anhangüera, que não fugiria do traçado anteriormente trilhado pelos bandeirantes. O avanço de Campinas até Igarapava, rumo ao extremo Norte do Estado, se deu em várias etapas até que em 4 de agosto de 1989, definitivamente ela se consolida como uma das mais importantes rodovias brasileiras chegado até à cidade de Flutal-SP.

DIVIDINDO A CIDADE, USURPANDO AS OPORTUNIDADES

Com a consolidação da via Anhanguera, Campinas se destaca como um grande centro de industria e tecnologia e assim, outros espaços da cidade passam a ser explorado. A região noroeste, que é um desdobramento de um outro processo de expansão urbana, iniciado na década de 1940 à partir da região sul, germina após a instalação de novos parques produtivos compostos de fábricas, agro-indústrias e estabelecimentos diversos nas proximidades das rodovias Anhanguera (1948), Bandeirantes (1979) e Santos Dumont (década de 1980). Estas áreas passaram a receber inúmeros habitantes que migravam para Campinas atraídos por uma maior diversificação produtiva. Os novos bairros, originalmente formados sem auxílio de infra-estrutura, com um bom número de ocupações, conquistaram maior urbanização entre as décadas de 1950 à 1990. A região noroeste, propriamente dita, foi formada entre as décadas de 1970 à 90, e hoje apresenta o bairro Campo Grande, na região oeste da cidade, como um dos mais populosos de Campinas. Na verdade essas rodovias separam duas Campinas: uma Campinas das oportunidades e a outra da não oportunidades. Como exemplos, na década de 60 o Cambuí, hoje um dos bairros mais tradicionais da cidade, era constituído por um grande número de habitantes de afro descendência. Como não existiam favelas na cidade, muitas dessas casas eram chamadas de cortiço. Após à construção de vários núcleos residências de casas populares na década de 70, muitos que ali residiam foram forçados a migrarem para as regiões periféricas de Campinas e assim muitos povoaram à região noroeste. Com essa implantação, Campinas conheceu duas realidades: uma realidade sócio cultura antes da Anhanguera, com boas casas e infra-estrutura e outras depois dela, com um grande número de favelas e ocupações desprovido de infra-estrutura . Até hoje essa divisão geográfica marca esses pólos de desigualdades. A região do Campo Grande é um dos exemplos dessa realidade, um espaço com pouco efeito de oportunidades, mas com uma grande aptidão para as transformações sociais.

OS ANTI-HEROIS

Vários são os motivos para a escolha do nome “Nos Caminhos de São Paulo” para o projeto do Ponto de Cultura do Urucungos. Um deles é uma menção de uma canção do Samba de Bumbo Campineiro, manifestação de matriz africana tradicional da cidade, cuja letra diz: “nos caminhos de São Paulo, quem achá um lenço é meu, bordadu nas quatro pontas, foi paulista qui mi deu”. Essa letra retrata os caminhos percorridos pelos romeiros de Campinas à Bom Jesus de Pirapora para chegarem ao seu destino utilizando trechos da Estrada Velha de Campinas. Outro fator é porque essa estrada chega à região pelas proximidades dos DICs e Campo Grande, setor noroeste da cidade onde se constata poucas ofertas de oportunidades. Também é fator determinante à opção da entidade pela construção dos objetivos do projeto, que colaborativamente ajudem à população local, à construir e potencializar as suas oportunidades à partir de ações positivas, baseadas na arte-educação nos locais que adentram para o outro lado da cidade, que é cortada pela via Anhanguera. Assim, o Urucungos, através desse projeto valoriza aqueles que também são heróis e que não são reconhecidos pelos seus atos, tornando-os anti-heróis, assim como foram no passado, aqueles que ajudaram a construir a Estrada Velha de Campinas e muitas dessas ocupações, compostos principalmente de afros descendentes e migrantes do Brasil inteiro.

Fontes: Ministério da Cultura - Secretaria de Programas e Projetos Culturais, Prefeitura de Campinas, Diário Oficial de Campinas, Urucungos, Centro Cultural Solano Trindade, “Negros em Campinas” (Cleber da Silva Maciel) e Urucungos

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